
Caras
janeiro 18, 2012
Tem aquele amigo da sua amiga que de repente resolveu que você pode ser uma excelente mãe para os filhos dele, tem aquele que fez uma viagem em casal com você e na semana seguinte voltou com a ex. Tem aquele que é músico e te conheceu na noite, foi pra tua casa e no dia seguinte você descobriu que o status dele no facebook era “em um relacionamento sério”.
Tem também aquele que você encontrou dançando twist and shout em alguma festa open bar, te beijou como se você fosse a única mulher no mundo e no dia seguinte, o facebook denuncia que ele também está em um relacionamento sério (e com uma mulher grávida).
Sem falar daquele que está sempre a espera do seu momento de insuportável carência pra te chamar pra um café e te propôr casamento (sim, casamento. Porque vocês estão nessa situação há uma década e nenhum dos dois tem mais idade para brincar). Tem até aquele que jura abandonar quem quer que seja pra ficar contigo.
Tem também aquele cara que te engole com o olhar sempre que te vê, mas nunca disse nada além de bom dia. E aquele que pensa que você é maluca por ele, quando na realidade you don’t give a fuck.
Homens, moleques, garotos.
Caras. De todos os tipos, de várias idades, profissões e cores preferidas de camisa.
- Não entendo porque você ainda está sozinha… – dizem aqueles amigos com quem você costumava fazer programas em casal, quando costumava ser parte de um casal.
- …mas você é tão bonita, tão inteligente! Tenho certeza que uma hora vai encontrar alguém legal – palpitam as tias nas reuniões de família.
Não que você se importe com a forma como as pessoas te olham, mas inevitavelmente você chega naquele ponto onde se questiona por que cargas d’água você ainda está sozinha, com tantos caras na sua vida.
A resposta é simples. Todos passaram, nenhum te encantou. E se chegou perto de encantar, desencantou no dia seguinte. Um desencanto, repetido várias vezes, se torna um desencanto permanente.
Paixão vivida é paixão passada. Paixão não vivida é recordação do que poderia ter sido, mas já não tem tempo de ser.
Depois de um tempo, você aprende que promessas, propostas e solos de bateria podem ser hábito, força de expressão ou vocação, mas que caras são apenas…caras.
(e também aprende a matar barata, trocar resistência de chuveiro, consertar encanamento e trocar o galão de água).



Já te falei que você tem talento para a escrita ? Deveria escrever uma coluna pra jornal e revistas. Concordo com você, com o tempo você vai vendo que ser sozinho não é de todo mal, vai se adaptando a vida de solteiro. O layout do blog ficou legal, deu uma amadurecida com relação ao anterior, acho que reflete melhor sua atual fase na vida.