A gente sabe que às vezes foge. Sem perceber, faz coisas sem saber o motivo e sem parar pra pensar que tá fazendo pra fugir. A gente sabe que às vezes se força a fazer coisas que acha que precisa, mas não quer. A gente se molda em fôrmas onde não cabe.

Uma vez, durante o término de um relacionamento com um cara muito bacana, ele me disse que sentia como se estivesse tentando encaixar um quadrado dentro de um círculo. Teria que cortar as pontas, e ainda ficaria alguns buracos. (Tem como não gostar de um cara que faz um paralelo desses?) O relacionamento acabou em comum acordo, e descobrimos que somos melhores em sermos amigos do que em tentar vestir o que não nos cabe. Nos tornamos um para o outro o que tínhamos potencial para ser: duas pessoas que querem o bem uma da outra e que se apoiam no que podem. Porque o amor pode ter várias formas, a amizade é uma delas. E isso não é a gente que define. Mas a gente sabe que às vezes, tenta. E insiste. E se machuca tentando se encaixar onde não cabe.

A gente sabe, mas finge não saber que, enquanto tenta se moldar onde não cabe, está deixando um vazio em algum outro lugar onde se encaixaria perfeitamente – se tivesse coragem de ir até lá.

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